Redley e sua “Memória Salgada”

A Redley lançou um curta documental. E ele diz mais sobre a marca do que qualquer campanha poderia.

A Redley acaba de lançar “Memória Salgada”, um curta documental de 13 minutos dirigido por Pedro Perdigão e Peu Mello. Não é uma campanha de verão, não é um filme de produto. É uma marca que nunca tirou o pé da areia mostrando que sabe exatamente onde seu público está.


Tem marcas que vendem roupa. E acima de tudo, tem marcas que constroem território. A Redley sempre foi a segunda, e “Memória Salgada” é a prova mais recente disso.

Memória Salgada

O curta não se comporta como campanha publicitária. Não tem modelo posando, não tem produto em destaque, não tem narração explicando o que você deveria sentir. O que existe é o Rio de Janeiro sendo filmado com calma, pais e filhos caminhando pela orla, conversas sobre maré, sobre memória, sobre o que se aprende à beira d’água e o que se passa adiante.

A escolha estética já diz tudo. A câmera frequentemente se afasta. As pessoas aparecem pequenas dentro de uma paisagem enorme. O mar, a cidade, a areia e o céu dividem o espaço com a mesma importância. Em conclusão, isso não é acidente de direção. É uma declaração de que o território importa tanto quanto quem o habita.

A Redley nasceu em 1983 de uma viagem de pai e filho à Califórnia. Peter e Thomas Simon voltaram com um nome na bagagem e uma ideia que rapidamente deixou de ser californiana para se tornar profundamente carioca. Nos anos 90 ela estava em todo lugar: no surf, no skate, no morro, nos bailes. Portanto, era objeto de desejo que atravessava fronteiras de classe sem precisar se explicar. Mais de 40 anos depois, continua sendo.

“Memória Salgada” é uma marca que entende que pertencer a um território não é questão de provar presença, mas de nunca ter deixado de se importar com ele. O filme termina com uma frase dita em conversa, sem drama, quase de passagem. Uma dessas coisas que só quem realmente viveu algo consegue dizer com essa leveza.

Algumas marcas precisam gritar para ser lembradas. A Redley nunca precisou, porque sabe que independente do tempo, as ondas continuam por lá.